Pedras do Araripe

Com mais de 150 desenhos, a mostra marca o retorno da obra de Aldemir Martins ao Cariri cearense, após ter integrado a exposição comemorativa do seu centenário na Pinacoteca do Ceará, realizada em 2022.

Em uma travessia entre passado e presente, a exposição “Pedras do Araripe” é uma celebração à memória natural e ancestral do Araripe – território do povo Kariri e berço de descobertas científicas que revelam os segredos da evolução da vida. 

Focando na biodiversidade paleontológica da região e em sua complexidade biológica e numérica, a exposição aborda o avanço recente da divulgação científica, o fortalecimento da consciência sobre esse patrimônio e as ações de repatriação conquistadas nos últimos anos. São apresentados mais de 400 fósseis de diversos grupos, como insetos, plantas, aracnídeos, crustáceos, moluscos, peixes, tartarugas, sapos, crocodilos, além de exemplares de pterossauros e dinossauros. Entre os destaques, estão os fósseis repatriados Ubirajara jubatus e Neoproscinetes penalvai, que integram a mostra.

A exposição “Pedras do Araripe” é fruto de uma parceria com o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, o Geopark Araripe, a Universidade Regional do Cariri (URCA) e o Museu da Imagem e do Som do Ceará, pensando a promoção e proteção dos patrimônios e identidades locais. 

“Pretendemos que o público, ao visitar a exposição ‘Pedras do Araripe’, perceba que o território do Araripe reúne características únicas. A história da vida na Terra ficou registrada na região como nas páginas de um livro – o livro do nosso planeta Terra… Nas camadas da Bacia do Araripe, são conhecidos mais de 30 pterossauros, 6 dinossauros, dezenas de vegetais e centenas de insetos, camarões, aranhas e escorpiões dos quais alguns só se conhecem por terem ficado aqui fossilizados.” Destaca Alysson Pontes Pinheiro, Diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em seu texto curatorial. 

Para Rosely Nakagawa, Diretora do Centro Cultural do Cariri, “Esta exposição ressalta a importância do resgate, que numa ação com diversas instâncias nacionais e internacionais, conseguiu repatriar diversos fósseis de muita relevância que tinham sido desviados e estavam em outros países. Este retorno marca ainda a importância da equipe de profissionais do Cariri, que hoje tem uma visibilidade abrangente e que se fazem respeitar pela seriedade de suas pesquisas científicas em todo o mundo”.

 

Sobre o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens

Reconhecido como uma das maiores referências nacionais em paleontologia, o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens é um pilar da ciência e da educação no Brasil. Localizado em Santana do Cariri, Ceará, o museu abriga um acervo que reúne milhares de fósseis onde revelam a rica biodiversidade registrada na Bacia do Araripe.

Além de seu protagonismo nas pesquisas científicas, o museu se destaca pela potente atuação educativa, sendo um espaço formativo essencial para estudantes, pesquisadores e visitantes de todas as idades. Com um trabalho contínuo de preservação, difusão do conhecimento e valorização da memória natural, o museu reafirma o papel do Cariri como território estratégico para o fortalecimento da ciência brasileira.

O legado do mestre gravador, construído com o fio da memória e o prazer da observação, é apresentado no Centro Cultural em um caleidoscópio de obras que desenham a profundidade de seu pensamento e a precisão de seu raciocínio lógico. Na Galeria 3, a exposição começa com um conjunto de xilogravuras, gravuras em metal e uma litogravura, todas dos anos 1950, 1960 e 1970, seguindo para serigrafias dos anos 1980 e outras obras que revelam o discurso do artista no plano bidimensional. As esculturas e relevos, que ocupam o Átrio e a Galeria 3, trazem à tona as três etapas marcantes da produção tridimensional de Esmeraldo: Planos e Volume Virtuais (1980-1981), Sólidos Geométricos (1982-1990) e Teoremas (2001-2015).

Duas esculturas efêmeras, uma na Entrada Principal e outra no Átrio, revivem sua participação no 1º Festival Latino-Americano de Arte e Cultura, em Brasília, e sua “Lente”, uma instalação originalmente apresentada na França nos anos 1960.

Com curadoria de Dodora Guimarães, presidente do Instituto Sérvulo Esmeraldo e companheira de vida do mestre da geometria, a exposição é, nas palavras da curadora, “Uma declaração de amor ao Crato”. Dodora acrescenta: “A exposição ‘esse é Sérvulo Esmeraldo’ é um tributo ao Crato, à sua gente, e muito especialmente à meninada do século XXI, a quem desejamos coragem e ousadia. Que essa meninada veja com o olhar caleidoscópico de Sérvulo Esmeraldo as miríades invisíveis do universo e chegue a patamares elevados neste mundo novo.”

Em sintonia com a abertura da exposição, o Centro Cultural promove o bate-papo “Sérvulo Esmeraldo e o Laboratório do Mundo” com Aracy Amaral, Dodora Guimarães e Regina Teixeira de Barros, às 17h, na Sala de Vidro do equipamento.

Sérvulo Esmeraldo

Filho do Cariri, Sérvulo Esmeraldo nasceu no Crato em 27 de fevereiro de 1929. Seu primeiro contato com a arte se deu através da xilogravura, uma paixão que despertou quando, alertado pelo pai, descobriu as capas de cordéis nas feiras livres do Crato e Juazeiro do Norte. A descoberta da luz veio com a “invenção” do seu prisma cilíndrico. Durante sua juventude, viveu no Sítio Bebida Nova, onde instalou seu primeiro ateliê e iniciou sua jornada artística.

Ao longo de sua vida e carreira, Esmeraldo se destacou como desenhista, ilustrador, escultor, gravador e pintor, consolidando-se como um dos pioneiros brasileiros da Arte Cinética, uma corrente artística que explora o movimento nas obras. Desde cedo, demonstrou um profundo interesse por matemática, física e artes visuais, explorando essas disciplinas por meio de experimentos e criações que refletiam sua curiosidade. 

Em 1957, realizou uma exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Sérvulo Esmeraldo viveu em Paris de 1957 a 1980, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Participou de três edições da Bienal de São Paulo: 1961, 1963 e 1987.

Algumas Obras Expostas

Ir para o conteúdo